segunda-feira, 4 de maio de 2015

Apenas assim.

Sou inconstância, sou mudança, sou braços abertos para o mundo, não prendo, e não me estagno.
Saio de um lugar, me entedio, volto para o mesmo ponto apenas para caminhar e ir por outro lado.
Falo, grito, sussurro, me emudeço.
Respiro, choro, gargalho e xingo.
Sou de pensar muito, sou de pensar pouco.
Troco de roupa, não troco, fico nua, me dispo das pessoas, me entrego ao tempo.
Dou as mãos à morte e rejeito a vida, abraço a vida e sorrio para a morte.
Convido o desespero para entrar nas mais ocultas janelas da minha mente, sempre penso que ele possa encontrar o caos que me habita e bagunçar ainda mais o que já está bagunçado.
Como chocolate, chupo limão, tomate é fruta e não deve ser colocado na salada, me bate um minuto e não desejo nada para comer, minha sede se resume a água, mas as vezes pela loucura uma dose de vodka me ajuda a enfrentar os dias.
Comemoro minhas vitórias sozinha, despejo meus sentimentos pelo mundo.
Melancolia assola, alegria se esboça, rudez eu possuo, delicadeza eu destoo.
Sento no chão para olhar meu filho diretamente, e me colocar como sua igual, mas levanto uma autoridade para mostrar que ainda sou mãe.
Ando, corro, existo, ergo a cabeça, escorro lágrimas pela face que levou um tapa da vida.
O tempo escorre entre os dedos e as memórias se permeiam naquilo que me forma.
Não tenho status, não tenho dinheiro, não tenho rótulos e nem conceitos extremados.
Suavidade não define, sinceridade é lei.
Não tenho espaço pra extravagâncias, simplicidade me encanta, o realismo me desnorteia, e a fantasia é necessária.
Livros se espalham pelos cantos da minha personalidade, músicas deixam suas notas por onde passo, tintas mancham minha pele e luzes cobrem meus olhos com cores de tons distintos.
Saudade tem sido palavra permanente em meu vocabulário, assim como em minha composição dos dias.
Me levanto apenas para deitar novamente.
Busco oportunidades, faço minhas escolhas, largo de emprego com mais facilidade do que aceitam que apenas não quero me estancar em um único meio fio.
Sou só sabores, desamores.
Os encontros me marcam e plantam espinhos ou flores, em meu jardim mais secreto de relações.
Os desencontros são inevitáveis e me coloco forte depois da tempestade e tormento, ao mesmo passo que existem as calmarias e o alívio há sempre de surgir.
Amizades me encantam, paixões me são difíceis.
Tenho medo, e insegurança de tudo. Jogo tudo pro alto e sigo sem rumo
Digo sempre: É porque eu quero, foi porque eu quis. Precisando ou não ser assim.
Faço exatas, me identifico com humanas, mas sonho com as biológicas.
Estabilidade me incomoda.
Desafios são tudo o que desejo.
Não sou fácil de lidar, não sou fácil de se entender, tudo e nada me despertam interesse algum em um todo.


Espalho pequenos fragmentos do amor que sinto por ele em forma de palavras sem nexo e sem contexto, para que assim talvez com essas dicas, ele entenda a grandiosidade que adquiriu em minha parca vida. 
Pois no final isso tudo não é sobre mim, é sobre ele.
Sim, ele que diz ter se atraído por esse conjunto de opostos
Ele que é estável e constante, se diz apaixonado por uma mulher tão doida e surreal, que ela mesma as vezes pensa não existir dentro do contexto dessa dimensão.
Ele que uma vez me disse ter certeza que o inevitável irá chegar para nós, mas que mesmo assim luta para que eu não perca o interesse num futuro nosso.
Ele que é incapaz de enxergar a sua imensidão, incapaz de perceber sua capacidade.
Ele que me veste de mistérios a serem desvendados.
Que me cobre das maiores incertezas.
Que me arranca os sorrisos mais fáceis, que preenche lacunas nas minhas horas de insônia, que se expõe e traduz em palavras, suas tristezas e solidão vívida em seu peito.
Foram nessas vias de mão dupla que ele cruzou seu olhar no meu, e nossos lábios ao se encontrem teve gosto de reconhecimento.
Por ele planejo viagens, planejo mudanças, loucuras, quero tirá-lo do conforto para que adentre os perigos que se fazem presentes no meu mundo. Assim como anseio em explorar suas mais pequenas nuances, decorar cada detalhe do seu corpo, e medir as simetrias de seu rosto.
As casualidades nos cercam.
Não sei do amanhã, mal consigo enxergar o hoje.
Apenas posso fazê-lo crer que estou aqui, no mesmo lugar distante em que as circunstâncias nos colocam, e daqui, no sentido de estar onde estou para ele, não almejo sair.
Será que você, afinal, é capaz de pegar esses quase imperceptíveis detalhes, e juntá-los em uma conclusão sobre o quanto sou agradecida por você existir, e o quanto de amor você desperta em mim?

Quero voar...
Posso estender a mão? Você aceita?.....  



~* 

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