Sou
inconstância, sou mudança, sou braços abertos para o mundo, não prendo, e não
me estagno.
Saio de um
lugar, me entedio, volto para o mesmo ponto apenas para caminhar e ir por outro
lado.
Falo, grito,
sussurro, me emudeço.
Respiro,
choro, gargalho e xingo.
Sou de
pensar muito, sou de pensar pouco.
Troco de
roupa, não troco, fico nua, me dispo das pessoas, me entrego ao tempo.
Dou as mãos
à morte e rejeito a vida, abraço a vida e sorrio para a morte.
Convido o
desespero para entrar nas mais ocultas janelas da minha mente, sempre penso que
ele possa encontrar o caos que me habita e bagunçar ainda mais o que já está
bagunçado.
Como
chocolate, chupo limão, tomate é fruta e não deve ser colocado na salada, me
bate um minuto e não desejo nada para comer, minha sede se resume a água, mas
as vezes pela loucura uma dose de vodka me ajuda a enfrentar os dias.
Comemoro
minhas vitórias sozinha, despejo meus sentimentos pelo mundo.
Melancolia
assola, alegria se esboça, rudez eu possuo, delicadeza eu destoo.
Sento no
chão para olhar meu filho diretamente, e me colocar como sua igual, mas levanto
uma autoridade para mostrar que ainda sou mãe.
Ando, corro,
existo, ergo a cabeça, escorro lágrimas pela face que levou um tapa da vida.
O tempo escorre
entre os dedos e as memórias se permeiam naquilo que me forma.
Não tenho
status, não tenho dinheiro, não tenho rótulos e nem conceitos extremados.
Suavidade
não define, sinceridade é lei.
Não tenho
espaço pra extravagâncias, simplicidade me encanta, o realismo me desnorteia, e
a fantasia é necessária.
Livros se
espalham pelos cantos da minha personalidade, músicas deixam suas notas por
onde passo, tintas mancham minha pele e luzes cobrem meus olhos com cores de
tons distintos.
Saudade tem
sido palavra permanente em meu vocabulário, assim como em minha composição dos
dias.
Me levanto
apenas para deitar novamente.
Busco
oportunidades, faço minhas escolhas, largo de emprego com mais facilidade do
que aceitam que apenas não quero me estancar em um único meio fio.
Sou só
sabores, desamores.
Os encontros
me marcam e plantam espinhos ou flores, em meu jardim mais secreto de relações.
Os desencontros
são inevitáveis e me coloco forte depois da tempestade e tormento, ao mesmo
passo que existem as calmarias e o alívio há sempre de surgir.
Amizades me
encantam, paixões me são difíceis.
Tenho medo,
e insegurança de tudo. Jogo tudo pro alto e sigo sem rumo
Digo sempre: É
porque eu quero, foi porque eu quis. Precisando ou não ser assim.
Faço exatas,
me identifico com humanas, mas sonho com as biológicas.
Estabilidade
me incomoda.
Desafios são
tudo o que desejo.
Não sou
fácil de lidar, não sou fácil de se entender, tudo e nada me despertam
interesse algum em um todo.
Espalho
pequenos fragmentos do amor que sinto por ele em forma de palavras sem nexo e
sem contexto, para que assim talvez com essas dicas, ele entenda a
grandiosidade que adquiriu em minha parca vida.
Pois no final
isso tudo não é sobre mim, é sobre ele.
Sim, ele que
diz ter se atraído por esse conjunto de opostos
Ele que é
estável e constante, se diz apaixonado por uma mulher tão doida e surreal, que
ela mesma as vezes pensa não existir dentro do contexto dessa dimensão.
Ele que uma
vez me disse ter certeza que o inevitável irá chegar para nós, mas que mesmo
assim luta para que eu não perca o interesse num futuro nosso.
Ele que é
incapaz de enxergar a sua imensidão, incapaz de perceber sua capacidade.
Ele que me
veste de mistérios a serem desvendados.
Que me cobre
das maiores incertezas.
Que me
arranca os sorrisos mais fáceis, que preenche lacunas nas minhas horas de
insônia, que se expõe e traduz em palavras, suas tristezas e solidão vívida em
seu peito.
Foram nessas
vias de mão dupla que ele cruzou seu olhar no meu, e nossos lábios ao se
encontrem teve gosto de reconhecimento.
Por ele
planejo viagens, planejo mudanças, loucuras, quero tirá-lo do conforto para que
adentre os perigos que se fazem presentes no meu mundo. Assim como anseio em explorar
suas mais pequenas nuances, decorar cada detalhe do seu corpo, e medir as
simetrias de seu rosto.
As casualidades
nos cercam.
Não sei do
amanhã, mal consigo enxergar o hoje.
Apenas posso
fazê-lo crer que estou aqui, no mesmo lugar distante em que as circunstâncias
nos colocam, e daqui, no sentido de estar onde estou para ele, não almejo sair.
Será que
você, afinal, é capaz de pegar esses quase imperceptíveis detalhes, e juntá-los
em uma conclusão sobre o quanto sou agradecida por você existir, e o quanto de
amor você desperta em mim?
Quero voar...
Posso estender a mão? Você aceita?.....
~*

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