sábado, 30 de maio de 2015

Nós envelhecemos juntos nos meus sonhos




Quando menos espero, estou distraída olhando as nossas fotos salvas no meu notebook, observo o brilho que está sobre nós, os sorrisos que se completavam, e por meio daquelas imagens o instante esconde todo o resto do caminho no qual andamos. Me bate a dúvida se você ainda guarda essas mesmas fotografias e se também as observa de vez em quando.
Me questiono se você também relê as nossas conversas nos momentos em que a saudade bate, e isso me leva à uma nova indagação, será que você sente saudades?
Você também sente o peito apertar naqueles segundos em que a falta de me dizer um simples "Oi! Passei pra dizer que tu és linda.", aparece de repente assim, sorrateira, bem no final da tarde quando o sol bate sobre a superfície das ruas, se despedindo de nós por algumas curtas horas espaçadas; foi nesse ínterim que em minhas íris a luz se refletiu uma vez e você me disse que a cor ali presente era única.
Eu sei que sinto falta de receber essas pequenas demonstrações de afeto, elas eram pequenas mas enormes em significado, e sim, eu reconheço isso.
São muitas coisas para colocar entre os espaços dessa relação, eu sei que você me marcou, a minha história conta contigo dentro dela, será que eu conto dentro da sua?
Sei que se apaixonou por alguém, talvez essa pessoa já esteja fazendo parte da sua rotina, assim como eu mesmo distante, já fiz.
Será que você aprendeu tanto quanto eu? Será que conseguiu compreender seus defeitos e entender que dissimulação não vai te tirar dos eixos e fazer o tempo transcorrer a seu favor, tardando os dias para que se possa correr por entre as horas, sem necessariamente perder aqueles segundos?
Essa nova pessoa em sua vida se importa, sabe que você tem medo da solidão, mas respira e necessita dela tanto quanto do chão aos seus pés? Ela valoriza cada grande sorriso seu? Não aqueles sarcásticos que você usa para demonstrar a sua arrogância enquanto disserta sobre o marxismo, mas aqueles enormes e tão raros que você simplesmente abre quando tudo parecia ter se encaixado, e seu peito se aliviava da dor, já tão sua amiga. Esses sorrisos sim valiam todo o meu dia, eram puros e quando você me percebia perdida te contemplando se acanhava inteiro, ficava com a face encabulada e meio vermelha.
Meu olhar ainda é forte e te causa impacto? Você sempre se desviava dele. Ainda hoje, será que teria o mesmo efeito?
Apagou meu número do seu celular? Se não apagou, trocou meu nome na sua agenda? Deixei de ser "amor" e passei a ser o que?
Você ainda ri em se lembrar o quanto implicávamos um com o outro? A velha rixa bolacha versus biscoito era só o passaporte pra outras tantas.
É, eu sei, são muitas coisas para recordar, e tudo que queria saber é se tem ainda algum valor para você como tem para mim. São memórias presentes de um passado que não se transformou em futuro.
O futuro apenas está guardado em meus sonhos, não sei quanto ao que se criou em seu imaginário, mas no meu, os pensamentos guardam nossos compromissos cumpridos e envelhecemos juntos. Viajamos como planejado, estudamos, nossa casa tinha cheiro de lar e o meu filho crescia rindo ao brincar com o cachorro que adotamos, muitos beijos fizeram parte do dia-a-dia, discussões, entendimento, intimidade, os ciumes tão certos, as incertezas, e as rugas que surgiram. Em meus sonhos as alianças estavam em nossos dedos, e a cama compartilhada em um abraço singelo, cheio de cuidado.
Naquilo que posso moldar a minha realidade, andamos de mãos dadas, contemplando uma noite de brisa suave, e não houvemos dentro de um fim. Os sonhos permanecem escondidos na minha mente, e nela, apenas habitam. As vezes ainda os visito, como telespectadora de uma possibilidade que já não mais machuca.








Entendo que a promessa que não durou trouxe um sabor amargo de derrota. E sim, eu sei que pra você não foi mais fácil do que pra mim, sei que apesar da mentira no final e da discussão tão prevista, me ferir não fazia parte do contexto.
Sei que eu era sua rainha e você se desfazia inteiro de status e conceitos em minha presença. Para você, dentro do nosso mundo eu era única, única em te entender, em te sorrir com afeto, única a quem chorou seus mais complexos desamores pela existência. Fomos um refúgio completo das tristezas e alegrias que tanto nos faziam entrar em um estado vazio com nossa realidade, e por mais que houvessem lágrimas e feridas em todas as discussões, os sorrisos e olhares necessitados de mais intensidade nunca deixavam de estar ali, mas ainda assim nada foi o suficiente para que tudo não acabasse.
"O que aconteceu?"
Você sabe o que aconteceu, a vida aconteceu. E ela acontece a cada ínfimo minuto, e nos joga para o lado que ela bem entender, somos obrigados aprender a lidar com todas as adversidades possíveis, e por isso mesmo, estamos no nosso atual espaço comum.
Tudo se tornou motivos, que poderiam ser continuidades, mas que foram verdadeiros pedaços chaves, de um quebra-cabeças que nos levou ao final.
Seus plano de insistir em um curso que você detesta, os meus de seguir meus instintos inconstantes e largar toda meta traçada, apenas pra me reinventar no mesmo desejo louco de me mudar pro teu estado, suas mentiras, nossos sentimentos, minha falta de paciência, os seus mistérios, sua arrogância, minha exposição e insegurança, tudo, absolutamente tudo nos deixou na estagnação pré fim.

Um dia eu te mandei uma pequena imagem com uma pergunta simples, porém difícil de se responder.

~*Você vai ficar por quanto tempo? Preparo um café, ou preparo a minha vida?"
Logo em seguida, a sua mensagem apareceu tão nítida no visor do meu celular: "Acho que você deveria preparar o coração pra não sofrer tanto com a distância. A vida a gente prepara junto.".....




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